domingo, 8 de janeiro de 2017

Tem que ter peito



“Aleitamento materno exclusivo e em livre demanda até o sexto mês de vida e continuado, juntamente com outros alimentos, por dois anos ou mais” é o recomendado pela OMS – Organização Mundial de Saúde. E virou meu mantra desde a gravidez e minha fala decorada aos incomodados até os dias de hoje.

(É impressionante como as pessoas se aperreiam com a amamentação de Francisco. O peito é meu, o filho também, a disposição é dos dois e nego não cansa de dizer: “esse menino ainda mama?”, “esse menino vai ficar atabacado”, “esse menino vai é te manipular”, “e não vai largar esse peito nunca?”, “se chupasse chupeta não vivia pendurado” etc. Se eu for escrever um texto para cada voto contra as minhas escolhas como mãe, esse blog vai virar um manifesto pela liberdade materna haha! Então, resolvi mudar o rumo da prosa e me deter no relato da minha experiência para ver se ajuda alguma mãe precisada.)

Quando Francisquinho nasceu, a primeira pessoa a conseguir fazer ele pegar o peito foi o pai. Ele simplesmente deitou aquela miudeza de gente de cara pra o meu peito e funcionou. Parecia que ele tinha colado à vácuo a boca no meu mamilo. Abocanhou a auréola toda, como se fosse um peixinho, assim como cursos de amamentação por aí ensinam. A nossa dificuldade por aqui definitivamente não foi “a pega”.

Todavia, não precisou nem de dois dias para que ficasse evidente para mim qual seria o meu maior obstáculo: a dor.

Durante a minha gestação, os mamilos escureceram muito e ficaram visivelmente mais proeminentes. Eu tinha completa convicção – tadinha de mim – que eu ia ser daquelas mães que superamamentam assim que o bebê nasce, numa boa, sem grandes complicações.

Ledo engano. Foram umas duas semanas de uma escolha muito clara para mim: ou eu chorava e Francisco se alimentava, ou ele que choraria, de fome. O que me parecia mais razoável? Escolhi sofrer um bocadinho e dar a ele o que era seu de direito.

Eu sabia que ia passar. Li mil relatos e conversei com algumas mães que passaram por isso. Não dói pra sempre, é o que posso dizer a qualquer uma que estiver passando por isso. No meu caso, sangrou, fez casca de ferida, pedrou. Eu colocava bolsa de água quente, casca de mamão e banana: aliviava, mas a verdade é que nada resolve. Ouvi dizer que existe uma pomada* também, mas sempre falava que ia comprar, ia comprar, ia comprar… parou de doer e eu nunca comprei.

O que eu quero dizer com isso? Amamentar é uma decisão difícil, mas importantíssima. Com isso, não quero hostilizar aquelas mães que por algum motivo não conseguiram. Todas as alternativas ao leite materno estão aí para serem usadas quando necessário. A minha intenção é apenas incentivar todas as recém-vaquinhas a tentarem. Na verdade, a insistirem. E o primeiro conselho que eu dou é: evite escutar. Isso mesmo. Nenhuma pessoa que estiver te apoiando nesse momento vai te incentivar a continuar chorando, simples assim. Todo mundo vai querer teu bem de imediato e, por isso, vão aparecer com mil fórmulas mágicas para cessar o teu sofrimento. Nesse momento, feche os olhos e pense em mim dizendo VAI PASSAR. São só alguns dias de dor para que seu filho tenha uma saúde salvaguardada por todos os nutrientes, anticorpos e aconchego que só seu corpo é capaz de oferecer. Depois de pouco tempo, prometo, não dói nem mais um tiquinho.

Francisco hoje tem nove meses e dentes. Sete. Ele morde meu peito de vez em quando. Se dói? Dói sim. Mas nem se compara a dor que eu sentia nas primeiras semanas. Entende o que eu quero dizer? Passa MESMO! Passa ao ponto de dentes não fazerem mais tanta diferença assim.


Hoje, quando me perguntam se eu gosto de amamentar, eu respondo que é o remédio para todos os problemas. A humanidade deveria ter um big peitão. Não haveria fome, tristeza, choro, carência, nada. É prático, é orgânico, é sustentável, é lindo.

*O nome da pomada é Lansinoh.

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