“Aleitamento materno exclusivo e em livre demanda até o sexto mês de vida e continuado, juntamente com outros alimentos, por dois anos ou mais” é o recomendado pela OMS – Organização Mundial de Saúde. E virou meu mantra desde a gravidez e minha fala decorada aos incomodados até os dias de hoje.
(É impressionante
como as pessoas se aperreiam com a amamentação de Francisco. O
peito é meu, o filho também, a disposição é dos dois e nego não
cansa de dizer: “esse menino ainda mama?”, “esse menino vai
ficar atabacado”, “esse menino vai é te manipular”, “e não
vai largar esse peito nunca?”, “se chupasse chupeta não vivia
pendurado” etc. Se eu for escrever um texto para cada voto contra
as minhas escolhas como mãe, esse blog vai virar um manifesto pela
liberdade materna haha! Então, resolvi mudar o rumo da prosa e me
deter no relato da minha experiência para ver se ajuda alguma mãe
precisada.)
Quando Francisquinho
nasceu, a primeira pessoa a conseguir fazer ele pegar o peito foi o
pai. Ele simplesmente deitou aquela miudeza de gente de cara pra o
meu peito e funcionou. Parecia que ele tinha colado à vácuo a boca
no meu mamilo. Abocanhou a auréola toda, como se fosse um peixinho,
assim como cursos de amamentação por aí ensinam. A nossa
dificuldade por aqui definitivamente não foi “a pega”.
Todavia, não
precisou nem de dois dias para que ficasse evidente para mim qual
seria o meu maior obstáculo: a dor.
Durante a minha
gestação, os mamilos escureceram muito e ficaram visivelmente mais
proeminentes. Eu tinha completa convicção – tadinha de mim –
que eu ia ser daquelas mães que superamamentam assim que o bebê
nasce, numa boa, sem grandes complicações.
Ledo engano. Foram
umas duas semanas de uma escolha muito clara para mim: ou eu chorava
e Francisco se alimentava, ou ele que choraria, de fome. O que me
parecia mais razoável? Escolhi sofrer um bocadinho e dar a ele o que
era seu de direito.
Eu sabia que ia
passar. Li mil relatos e conversei com algumas mães que passaram por
isso. Não dói pra sempre, é o que posso dizer a qualquer uma que
estiver passando por isso. No meu caso, sangrou, fez casca de ferida,
pedrou. Eu colocava bolsa de água quente, casca de mamão e banana:
aliviava, mas a verdade é que nada resolve. Ouvi dizer que existe
uma pomada* também, mas sempre falava que ia comprar, ia comprar, ia
comprar… parou de doer e eu nunca comprei.
O que eu quero dizer
com isso? Amamentar é uma decisão difícil, mas importantíssima.
Com isso, não quero hostilizar aquelas mães que por algum motivo
não conseguiram. Todas as alternativas ao leite materno estão aí
para serem usadas quando necessário. A minha intenção é apenas
incentivar todas as recém-vaquinhas a tentarem. Na verdade, a
insistirem. E o primeiro conselho que eu dou é: evite escutar. Isso
mesmo. Nenhuma pessoa que estiver te apoiando nesse momento vai te
incentivar a continuar chorando, simples assim. Todo mundo vai querer
teu bem de imediato e, por isso, vão aparecer com mil fórmulas
mágicas para cessar o teu sofrimento. Nesse momento, feche os olhos
e pense em mim dizendo VAI PASSAR. São só alguns dias de dor para
que seu filho tenha uma saúde salvaguardada por todos os nutrientes,
anticorpos e aconchego que só seu corpo é capaz de oferecer. Depois
de pouco tempo, prometo, não dói nem mais um tiquinho.
Francisco hoje tem
nove meses e dentes. Sete. Ele morde meu peito de vez em quando. Se
dói? Dói sim. Mas nem se compara a dor que eu sentia nas primeiras
semanas. Entende o que eu quero dizer? Passa MESMO! Passa ao ponto de
dentes não fazerem mais tanta diferença assim.
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