quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

A mala da maternidade

Atenção: esse post não tem serventia para mães que optaram pelo parto domiciliar.

Eu não sei você, mas eu, quando entrei nesse barco da maternidade, não sabia para onde apontar o meu leme. Aos poucos, fui me familiarizando com questões que eu nem sabia que existiam. Uma delas é a tal mala da maternidade.

“Lógico, há uma mala”, pensei. “Aliás, duas: a minha e a do bebê”. Afinal, ninguém ia sair pelado pela rua pós-parto.

Quando eu via essa história em filmes, a mulher correndo*, com a bolsa estourada e a mala na mão, não pensava que havia tanta discussão em volta de uma sacola de roupinhas. Mas a coisa não era tão objetiva assim como eu pensava.

Por mais que você seja uma pessoa extremamente prática, sem rodeios nem mimimis, a tal mala da maternidade desafia seu pragmatismo, especialmente se você for, assim como eu, mãe de primeira viagem.

Vou começar pelo óbvio, pensei: roupas. Quantas? O que são roupas para quem acabou de nascer? Ele tem frio ou calor? Precisa levar fraldas? Ele já toma banho com xampu? Mas eu nem sei se ele vai ter cabelo. O que mais um serzinho que acabou de nascer precisa?

Confesso que quando dei um google (sim, eu dou um google pra quase tudo na vida), fiquei espantada com a quantidade de informação sobre esse assunto. Me assustei com a quantidade de gente preocupada com esse tema e logo estranhei. Não pode ser tão complexo isso, minha gente.
E nisso eu estava certa: era uma encheção de linguiça sem fim. Fora que eu precisei filtrar as informações por estado, porque alguns bebês iam ter necessidades diferentes a depender da região em que ele ia nascer; o clima, por exemplo, influencia muito nas escolhas dessa malinha.

Levei essa dúvida ao meu obstetra, que me deu o caminho das pedras: “no site da maternidade vai ter uma lista do que você deve levar. Tende a ser algo bem básico, então, liga pra lá e se informa melhor”. E assim o fiz.

Cheguei à seguinte conclusão: 6 mudas de roupa eram mais que suficientes para cobrir os dias em que eu ia me manter no hospital e possíveis acidentes – cada muda incluía um body, um macacão para usar por cima do body (ou um conjunto de calça e blusa de manga comprida), meias e luvas. Tem mães que curtem o gorrinho pra proteger a cabeça. Confesso que acho horrível e pulei essa parte. A quantidade de mudas não foi aleatória, afinal, bebês fazem cocô e ele nem sempre vem da forma como nós esperamos, não é verdade? Então pensei em duas mudas por dia, para cobrir eventuais contratempos. Outra coisa: ninguém pode prever o tamanho exato do filho que vai nascer, então, algumas roupinhas podem se ajustar melhor e outras não. Isso tudo são dicas que me foram dadas pela recepção da maternidade onde Francisco nasceu.

Indicaram que eu levasse mantas e lençóis para o moisés que iria ser colocado ao lado da minha cama, lenços umedecidos para qualquer higienização, algodão (para limpar o bumbuzito dele, sem atritos ou agressões de nenhum produto químico), álcool 70% e cotonetes para limpar o coto umbilical e foi isso.

Eu, como tenho muitos problemas de lidar com a dúvida, levei também um pacote de fraldas tamanho RN* só para garantir e duas fraldas de pano para cada dia. Juntamente com o álcool-gel, para higienizar as mãos, as fraldinhas de pano foram fundamentais para limpar babas e apoiar nos ombros dos visitantes que queriam colocar Francisquinho no colo. Nesses primeiros dias, é fundamental livrar o bebê de qualquer contato com sujeirinhas mundanas, pois ele está completamente descoberto de anticorpos/vacinas.

Tudo que foi usado nos banhos foi fornecido pela própria maternidade. Normalmente é assim, mas não custa você se informar previamente.

A minha mala foi ainda mais simples: 3 camisolas que possibilitassem a amamentação e 3 robes para os dias dentro do hospital, apenas uma muda de roupa confortável para voltar para casa, calcinhas e sutiãs de amamentação* e absorventes SUPER, pois, se você aí não sabe, no pós-parto sangramos durante uns 15 dias mais ou menos, como uma big menstruação.

Se você optar por usar cintas pós-parto, coloque desde já na sua malinha. Depois que o bebê nasce, a barriga fica pendurada e é uma sensação desconfortabilíssima. A cinta pode te dar um conforto nisso aí. Confesso que usei pouco. Não queria nada me apertando naquele momento. Então, resolvi que depois da segunda semana é que eu ia ver se eu queria ou não incluir mais aquele elemento no meu mundo já confuso da maternidade.

Dito isso tudo, precisamos falar sobre gastos.

A primeira esparrela na qual você pode cair é no conto das “roupinhas de maternidade”. Em algum momento da vida, alguém decidiu que elas são caras, sofisticadas e precisam ser assim. Eu cá te digo: não, não precisam.

Minha mãe caiu nesse conto e comprou uns três ou quatro conjuntos de roupa desse tipo e gastou o equivalente a um carrinho de bebê nessa história. Resultado: usei as roupinhas umas 2 vezes depois do hospital e acabaram não servindo mais. Primeiro porque elas tendem a ser superpequenas, - afinal se propõem a servir num bebê que acabou de nascer – e, segundo, normalmente, são superquentes.

Por isso, não caiam na besteira de se encantar com essas conversas e terminem doando um rim pra pagar roupas que serão utilizadas, no mais das vezes, apenas na maternidade. Pelo menos, essa é a minha forma de encarar as coisas. Pois há tantas necessidades a serem consideradas num enxoval, que é bom ter em mente gastar com aquilo que realmente faz diferença.

Francisquinho ficou muito bem assistido por sua malinha. A primeira roupinha foi a que o pai usou no dia do seu nascimento. Era verdinha, de linha, uma lindeza. Nos outros dias, prestigiei os conjuntinhos que minha mãe havia comprado e, por fim, no dia da saída da maternidade, Francisco estava vestido de vermelho, conforme aquela tradição que diz que a cor traz saúde pra criança. Eu acredito em tudo que é bom. A roupinha também havia sido do baby-dad e ficou uma belezura!

Notas:

*A mulher não precisa correr quando a bolsa estourar. Há tempo de sobra pra tudo, se acalmem. A natureza é sábia.

*Tamanho RN diz respeito à recém-nascido.

* Há muitos sutiãs de amamentação no mercado. Você não precisa usar aqueles marrons feiozinhos se não quiser. Eu usei os marrons feiozinhos porque simplesmente os sutiãs, naquele momento, eram as últimas das preocupações que eu tinha. Mas opte sempre pelo que vai te fazer se sentir bem. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário