Atenção: esse post
não tem serventia para mães que optaram pelo parto domiciliar.
Eu não sei você,
mas eu, quando entrei nesse barco da maternidade, não sabia para
onde apontar o meu leme. Aos poucos, fui me familiarizando com
questões que eu nem sabia que existiam. Uma delas é a tal mala
da maternidade.
“Lógico, há uma mala”, pensei. “Aliás, duas: a minha e a do
bebê”. Afinal, ninguém ia sair pelado pela rua pós-parto.
Quando eu via essa história em filmes, a mulher correndo*, com a
bolsa estourada e a mala na mão, não pensava que havia tanta
discussão em volta de uma sacola de roupinhas. Mas a coisa não era
tão objetiva assim como eu pensava.
Por mais que você seja uma pessoa extremamente prática, sem rodeios
nem mimimis, a tal mala da maternidade desafia seu pragmatismo,
especialmente se você for, assim como eu, mãe de primeira viagem.
Vou começar pelo óbvio, pensei: roupas. Quantas? O que são roupas
para quem acabou de nascer? Ele tem frio ou calor? Precisa levar
fraldas? Ele já toma banho com xampu? Mas eu nem sei se ele vai ter
cabelo. O que mais um serzinho que acabou de nascer precisa?
Confesso que quando dei um google (sim, eu dou um google pra quase
tudo na vida), fiquei espantada com a quantidade de informação
sobre esse assunto. Me assustei com a quantidade de gente preocupada
com esse tema e logo estranhei. Não pode ser tão complexo isso,
minha gente.
E nisso eu estava certa: era uma encheção de linguiça sem fim.
Fora que eu precisei filtrar as informações por estado, porque
alguns bebês iam ter necessidades diferentes a depender da região
em que ele ia nascer; o clima, por exemplo, influencia muito nas
escolhas dessa malinha.
Levei essa dúvida ao meu obstetra, que me deu o caminho das pedras:
“no site da maternidade vai ter uma lista do que você
deve levar. Tende a ser algo bem básico, então, liga pra lá e se
informa melhor”. E assim o fiz.
Cheguei à seguinte conclusão: 6 mudas de roupa eram mais
que suficientes para cobrir os dias em que eu ia me manter no
hospital e possíveis acidentes – cada muda incluía um body, um
macacão para usar por cima do body (ou um conjunto de calça e blusa
de manga comprida), meias e luvas. Tem mães que curtem o gorrinho
pra proteger a cabeça. Confesso que acho horrível e pulei essa
parte. A quantidade de mudas não foi aleatória, afinal, bebês
fazem cocô e ele nem sempre vem da forma como nós esperamos, não é
verdade? Então pensei em duas mudas por dia, para cobrir eventuais
contratempos. Outra coisa: ninguém pode prever o tamanho exato do
filho que vai nascer, então, algumas roupinhas podem se ajustar
melhor e outras não. Isso tudo são dicas que me foram dadas pela
recepção da maternidade onde Francisco nasceu.
Indicaram que eu levasse mantas e lençóis para o moisés que
iria ser colocado ao lado da minha cama, lenços umedecidos
para qualquer higienização, algodão (para limpar o
bumbuzito dele, sem atritos ou agressões de nenhum produto químico),
álcool 70% e cotonetes para limpar o coto umbilical e foi isso.
Eu, como tenho muitos problemas de lidar com a dúvida, levei também
um pacote de fraldas tamanho RN* só para garantir e duas fraldas
de pano para cada dia. Juntamente com o álcool-gel, para higienizar
as mãos, as fraldinhas de pano foram fundamentais para limpar babas
e apoiar nos ombros dos visitantes que queriam colocar Francisquinho
no colo. Nesses primeiros dias, é fundamental livrar o bebê de
qualquer contato com sujeirinhas mundanas, pois ele está
completamente descoberto de anticorpos/vacinas.
Tudo que foi usado nos banhos foi fornecido pela própria
maternidade. Normalmente é assim, mas não custa você se informar
previamente.
A minha mala foi ainda mais simples: 3 camisolas que
possibilitassem a amamentação e 3 robes para os dias dentro
do hospital, apenas uma muda de roupa confortável para voltar
para casa, calcinhas e sutiãs de amamentação* e
absorventes SUPER, pois, se você aí não sabe, no pós-parto
sangramos durante uns 15 dias mais ou menos, como uma big
menstruação.
Se você optar por usar cintas pós-parto, coloque desde já na sua
malinha. Depois que o bebê nasce, a barriga fica pendurada e é uma
sensação desconfortabilíssima. A cinta pode te dar um conforto
nisso aí. Confesso que usei pouco. Não queria nada me apertando
naquele momento. Então, resolvi que depois da segunda semana é que
eu ia ver se eu queria ou não incluir mais aquele elemento no meu
mundo já confuso da maternidade.
Dito isso tudo, precisamos falar sobre gastos.
A primeira esparrela na qual você pode cair é no conto das
“roupinhas de maternidade”. Em algum momento da vida, alguém
decidiu que elas são caras, sofisticadas e precisam ser assim. Eu cá
te digo: não, não precisam.
Minha mãe caiu nesse conto e comprou uns três ou quatro conjuntos
de roupa desse tipo e gastou o equivalente a um carrinho de bebê
nessa história. Resultado: usei as roupinhas umas 2 vezes depois do
hospital e acabaram não servindo mais. Primeiro porque elas tendem a
ser superpequenas, - afinal se propõem a servir num bebê que acabou
de nascer – e, segundo, normalmente, são superquentes.
Por isso, não caiam na besteira de se encantar com essas conversas e
terminem doando um rim pra pagar roupas que serão utilizadas, no
mais das vezes, apenas na maternidade. Pelo menos, essa é a minha
forma de encarar as coisas. Pois há tantas necessidades a serem
consideradas num enxoval, que é bom ter em mente gastar com
aquilo que realmente faz diferença.
Francisquinho ficou muito bem assistido por sua malinha. A primeira
roupinha foi a que o pai usou no dia do seu nascimento. Era verdinha,
de linha, uma lindeza. Nos outros dias, prestigiei os conjuntinhos
que minha mãe havia comprado e, por fim, no dia da saída da
maternidade, Francisco estava vestido de vermelho, conforme aquela
tradição que diz que a cor traz saúde pra criança. Eu acredito em
tudo que é bom. A roupinha também havia sido do baby-dad e ficou
uma belezura!
Notas:
*A mulher não precisa correr quando a bolsa estourar. Há tempo de
sobra pra tudo, se acalmem. A natureza é sábia.
*Tamanho RN diz respeito à recém-nascido.
* Há muitos sutiãs de amamentação no mercado. Você não precisa usar aqueles marrons
feiozinhos se não quiser. Eu usei os marrons feiozinhos porque
simplesmente os sutiãs, naquele momento, eram as últimas das
preocupações que eu tinha. Mas opte sempre pelo que vai te fazer se sentir bem.
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