Se você cria bem um filho, você está criando bem um cidadão. Ter
isso em mente é uma questão de prioridade para mim. E essa
afirmativa engloba mais aspectos da vida do que você pode imaginar.
Na alimentação, por exemplo, a coisa pode ser revolucionária
se bem direcionada.
| Jogar o prato de comida longe: às vezes rola |
Avalie-se você como adulto. O que você come? Faça uma rápida
análise sobre seus hábitos, estenda isso às consequências desses
hábitos e construa um breve esboço de como vai a sua qualidade de
vida. Terminou? Pronto. Agora feche os olhos e imagine uma criança -
que tem mais facilidade de aprender com o exemplo do que com a
imposição – desenvolvendo-se ao seu lado, observando tudo, com
uma fome de aprender que só ela. Esse é seu filho. Ele IMITA você
em tudo o que pode.
Voltemos, então, à Introdução alimentar. O pediatra provavelmente
dirá que comece a apresentar as frutas ao seu bebê. Se você,
pai/mãe, não tem o hábito de comê-las frequentemente, talvez seja
a primeira vez que seu filho irá se deparar com o ET-maçã. O quão
isso pode dificultar o processo de aprendizagem?
A alimentação é sim um aprendizado. O bebê aprende a comer,
aprende os diferentes sabores e aprende também, pasme, a defecar.
Isso me foi dito pela gastroenterologista do meu filho quando o levei
a uma consulta por causa de uma baita prisão de ventre que ele
enfrentou no período da IA – devido a combinação de alimentos
equivocada que eu estava fazendo por inexperiência. O fato é que as
crianças aprendem a comer com os pais, gente. Tanto a partir do que
a gente oferece quanto a partir do que ele observa à mesa de casa.
Francisco, por exemplo, ama tapioca. E eu tenho a nítida sensação
de que ele só ama aquela massinha sem gosto (pois ofereço sem sal,
sem manteiga e sem queijo: apenas a massa passada na frigideira sem
nada) porque é o que eu como todos os dias no café da manhã.
Então, ele passou a se interessar por aquilo que ele me vê comendo
every single day.
A boa alimentação, quando feita da maneira correta – sem
imposições, com paciência, permitindo-se experimentações,
voltando ao mesmo alimento sempre que necessário, de forma que dê à
criança tempo de decidir se gosta ou não daquele sabor -, é o
primeiro passo contra a obesidade, por exemplo. Já pararam pra
pensar nisso?
Quando me questionam sobre dar grão de bico, lentilha, amaranto ou
uma alimentação sem sal nem açúcar ao meu filho, eu
respondo: “eu quero presentear meu filho com o que a indústria de
alimentos esconde atrás das prateleiras de papinhas prontas e massas
lácteas. Depois de conhecer tudo o que eu puder oferecer de bom e in
natura, aí ele vai ter bagagem suficiente para fazer suas
próprias escolhas”. Não é como se o meu filho jamais fosse tocar
num brigadeiro. Mas é exatamente porque sei – e como sei! - o
quanto brigadeiro é delicioso, que eu quero apresentar antes
alimentos mais nutritivos e menos prejudiciais. Imagine você
se o primeiro contato de um menino com comida for um bolo de
chocolate, quando é que ele vai se apaixonar por legumes? O açúcar,
em especial, é uma substância que causa dependência, inclusive.
Escolhi, em suma, alimentar meu filho. Que é bem diferente de
dar comida. E para isso foi preciso PACIÊNCIA e PERSISTÊNCIA.
Depois, se ele quiser se destruir no açúcar e no sal, quando ele
tiver autonomia pra isso, aí já é com ele e a vida. Mas não quero
botar mais um potencial cardíaco, diabético, hipertenso etc. na
sociedade já tão enferma. Os pais têm de ter responsabilidade
nesses primeiros passos também. Apresentar o mundo sob um ângulo
mais saudável é uma missão árdua, mas é tão possível quanto
recompensadora.
| Permita a interação: oi, manga, meu nome é Francisco |
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No mais, aqui vai mais uma listinha que aprendi com a gastro do meu
filho:
1) Não adianta nada enfiar comida no menino se ele não bebe ÁGUA.
Sim, seu filho, que antes só se alimentava do completo leite
materno, agora necessita de uma quantidade de água que vai além da
que o “mamá” pode dar, ok?
2) Nada de sal e açúcar nesse comecinho (já falei, mas não custa
ratificar). Não vai ficar “sem gosto” a comida. Seu filhote não
conhece esses sabores e não vai sentir falta de algo que nunca teve,
entende?
3) Não empurre fibra no bebê. A alimentação deve ser balanceada.
CONSULTE SEU PEDIATRA e saiba o que isso significa para o seu filho.
Saiba quais outros alimentos podem irritar o sistema digestivo do seu
neném e quais são aqueles que melhor se encaixam nesse período
introdutório.
4) Cuidado com chás e “receitinhas caseiras” que circulam por
aí. Lembre-se de que estamos falando de um bebê e de um organismo
que está começando a interagir com o mundo dos alimentos e que pode
ser bem sensível a algumas substâncias. CONSULTE SEU
PEDIATRA/NUTRICIONISTA/GASTRO… CONSULTE, CONSULTE, CONSULTE.
5) Usar colheres de silicone. Elas facilitam na hora de oferecer a
comidinha, pois não machucam a gengiva do bebê e não repassam o
material de que é feita a colher juntamente com o alimento.
6) Pedir ajuda a outras pessoas para oferecer as primeiras refeições.
O bebê tende a fazer corpo mole se é a mãe que oferece já que
sabe que tem um peitinho ali dando sopa.
| Suja mesmo, muito. Mas vê que fofura! |
7) Escolher um ambiente agradável para alimentar o bebê. Assim, ele passará a associar a alimentação a um momento de prazer. Inclusive, acho que nem precisa dizer que não se deve forçar o alimento. Persistir não significa enfiar a colher a todo custo. Persistir é ser criativo na hora de oferecer a comida: cante, brinque, faça o neném interagir com a comida.
8) Observar os sinais que seu filho dá em relação ao momento da alimentação e procurar repetir aquilo que o agrada.
9) Desestresse, Vai sujar tudo sim. Evitar que isso aconteça só vai te render dor de cabeça e frustração.
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