quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Da Série "Bons pais: um serviço à sociedade". Parte 1: Alimentação

Se você cria bem um filho, você está criando bem um cidadão. Ter isso em mente é uma questão de prioridade para mim. E essa afirmativa engloba mais aspectos da vida do que você pode imaginar.

Na alimentação, por exemplo, a coisa pode ser revolucionária se bem direcionada.

Jogar o prato de comida longe: às vezes rola
Existe uma coisa que se chama “Introdução alimentar” (IA). Se vocês aí são pais de primeira viagem e ainda não estão familiarizados com o termo, é bom já ir dando uma pesquisada, conversando com profissionais (médicos e nutricionistas) e amigos que já passaram por isso porque é um momento bem delicado e importante do desenvolvimento infantil. É quando o bebê tem os primeiros contatos com os alimentos além do leite materno (ou outro leite, caso ele não tenha sido amamentado por alguma dificuldade).

Avalie-se você como adulto. O que você come? Faça uma rápida análise sobre seus hábitos, estenda isso às consequências desses hábitos e construa um breve esboço de como vai a sua qualidade de vida. Terminou? Pronto. Agora feche os olhos e imagine uma criança - que tem mais facilidade de aprender com o exemplo do que com a imposição – desenvolvendo-se ao seu lado, observando tudo, com uma fome de aprender que só ela. Esse é seu filho. Ele IMITA você em tudo o que pode.

Voltemos, então, à Introdução alimentar. O pediatra provavelmente dirá que comece a apresentar as frutas ao seu bebê. Se você, pai/mãe, não tem o hábito de comê-las frequentemente, talvez seja a primeira vez que seu filho irá se deparar com o ET-maçã. O quão isso pode dificultar o processo de aprendizagem?

A alimentação é sim um aprendizado. O bebê aprende a comer, aprende os diferentes sabores e aprende também, pasme, a defecar. Isso me foi dito pela gastroenterologista do meu filho quando o levei a uma consulta por causa de uma baita prisão de ventre que ele enfrentou no período da IA – devido a combinação de alimentos equivocada que eu estava fazendo por inexperiência. O fato é que as crianças aprendem a comer com os pais, gente. Tanto a partir do que a gente oferece quanto a partir do que ele observa à mesa de casa.

Francisco, por exemplo, ama tapioca. E eu tenho a nítida sensação de que ele só ama aquela massinha sem gosto (pois ofereço sem sal, sem manteiga e sem queijo: apenas a massa passada na frigideira sem nada) porque é o que eu como todos os dias no café da manhã. Então, ele passou a se interessar por aquilo que ele me vê comendo every single day.

A boa alimentação, quando feita da maneira correta – sem imposições, com paciência, permitindo-se experimentações, voltando ao mesmo alimento sempre que necessário, de forma que dê à criança tempo de decidir se gosta ou não daquele sabor -, é o primeiro passo contra a obesidade, por exemplo. Já pararam pra pensar nisso?

Quando me questionam sobre dar grão de bico, lentilha, amaranto ou uma alimentação sem sal nem açúcar ao meu filho, eu respondo: “eu quero presentear meu filho com o que a indústria de alimentos esconde atrás das prateleiras de papinhas prontas e massas lácteas. Depois de conhecer tudo o que eu puder oferecer de bom e in natura, aí ele vai ter bagagem suficiente para fazer suas próprias escolhas”. Não é como se o meu filho jamais fosse tocar num brigadeiro. Mas é exatamente porque sei – e como sei! - o quanto brigadeiro é delicioso, que eu quero apresentar antes alimentos mais nutritivos e menos prejudiciais. Imagine você se o primeiro contato de um menino com comida for um bolo de chocolate, quando é que ele vai se apaixonar por legumes? O açúcar, em especial, é uma substância que causa dependência, inclusive.

Escolhi, em suma, alimentar meu filho. Que é bem diferente de dar comida. E para isso foi preciso PACIÊNCIA e PERSISTÊNCIA.

Depois, se ele quiser se destruir no açúcar e no sal, quando ele tiver autonomia pra isso, aí já é com ele e a vida. Mas não quero botar mais um potencial cardíaco, diabético, hipertenso etc. na sociedade já tão enferma. Os pais têm de ter responsabilidade nesses primeiros passos também. Apresentar o mundo sob um ângulo mais saudável é uma missão árdua, mas é tão possível quanto recompensadora.

Permita a interação: oi, manga, meu nome é Francisco
E o projeto de educar o paladar infantil é revolucionário. Imagine o tamanho dessa campanha de prevenção? É gigantesco. Alimentar-se bem é o começo da prevenção de uma infinidade de doenças e uma economia para a saúde pública, diga-se de passagem. Além de ser um incentivo ao mercado para se adaptar a um novo consumidor, muito mais preocupado com o que come, muito mais consciente do seu corpo, muito mais preocupado com a saúde. Vocês têm a dimensão do que uma mudança dessas pode significar?

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No mais, aqui vai mais uma listinha que aprendi com a gastro do meu filho:

1) Não adianta nada enfiar comida no menino se ele não bebe ÁGUA. Sim, seu filho, que antes só se alimentava do completo leite materno, agora necessita de uma quantidade de água que vai além da que o “mamá” pode dar, ok?

2) Nada de sal e açúcar nesse comecinho (já falei, mas não custa ratificar). Não vai ficar “sem gosto” a comida. Seu filhote não conhece esses sabores e não vai sentir falta de algo que nunca teve, entende?

3) Não empurre fibra no bebê. A alimentação deve ser balanceada. CONSULTE SEU PEDIATRA e saiba o que isso significa para o seu filho. Saiba quais outros alimentos podem irritar o sistema digestivo do seu neném e quais são aqueles que melhor se encaixam nesse período introdutório.

4) Cuidado com chás e “receitinhas caseiras” que circulam por aí. Lembre-se de que estamos falando de um bebê e de um organismo que está começando a interagir com o mundo dos alimentos e que pode ser bem sensível a algumas substâncias. CONSULTE SEU PEDIATRA/NUTRICIONISTA/GASTRO… CONSULTE, CONSULTE, CONSULTE.

5) Usar colheres de silicone. Elas facilitam na hora de oferecer a comidinha, pois não machucam a gengiva do bebê e não repassam o material de que é feita a colher juntamente com o alimento.

6) Pedir ajuda a outras pessoas para oferecer as primeiras refeições. O bebê tende a fazer corpo mole se é a mãe que oferece já que sabe que tem um peitinho ali dando sopa.

Suja mesmo, muito. Mas vê que fofura!

7) Escolher um ambiente agradável para alimentar o bebê. Assim, ele passará a associar a alimentação a um momento de prazer. Inclusive, acho que nem precisa dizer que não se deve forçar o alimento. Persistir não significa enfiar a colher a todo custo. Persistir é ser criativo na hora de oferecer a comida: cante, brinque, faça o neném interagir com a comida.

8) Observar os sinais que seu filho dá em relação ao momento da alimentação e procurar repetir aquilo que o agrada.

9) Desestresse, Vai sujar tudo sim. Evitar que isso aconteça só vai te render dor de cabeça e frustração. 

Essa discussão alimentar não tem fim. Em breve, certamente terão mais alguns relatos sobre a minha experiência prática com Francisquinho. Afinal, ainda estamos nessa luta por aqui. Quem souber outras dicas, favor lembrar da mamazita aqui. #tamojunto.



ÁGUA, ÁGUA, ÁGUA: ofereça o tempo todo!!

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