É muito louca mesmo
essa história de nascer, hein? Pense aqui comigo: o mundo não tinha
aquele ser e agora tem. Uma celulinha aqui, outra celulinha ali e
pum: um milhão (?) de genes se cruzam e formam o quê? Uma PESSOA.
Eu sou uma dessas das ciências, mas tenho que admitir que há certa
magia nisso tudo. Já pararam pra pensar sobre isso, assim, dessa
forma? E o peso da responsabilidade de colocar esse balainho de genes
no mundo são e salvo, nutrido, com todas as ultrassons em dia etc.?
É pedrada, meu amigo! Mais pedrada ainda é entender que você é
ele, ele é você, vocês são um combo, mas, na verdade, tudo isso
vai se dividir em breve. Pois é, ser mãe é entender que vocês tão
juntos na gravidez, para se separarem já, já, para, na verdade,
estarem atados num nó cego pra o resto da(s) vida(s).
Resto da vida é
tempo pra c#$*#$%!
Dito isso, ser mãe
é pra quem QUER.
Parem com essa
ladainha antiga de “instinto materno” e vão dar mais um
googlezinho aí numa senhora marrenta chamada Simone de Beauvoir, que
se ocupou muito desse tema e sabe das coisas. Ou, em outras palavras:
faz é tempo que se sabe bem que não é porque há útero que ele
precisa ser usado. Pra quem não estiver a fim de grandes leituras
(nos dois sentidos), aqui vai uma analogia simplista sobre
“instinto”: se instinto fosse determinante, estaríamos todos
cagando em praça pública, pense nisso!
Sabe o que me admira
mais nesse papo de “instinto materno”? É que a natureza é
convocada como critério determinante para que a mulher tenha que
engravidar, mas, em contrapartida, a menstruação, os pelos, nossos
cheiros etc. ainda são um tabu. A mulher passa a vida inteira
precisando disfarçar que é mulher e que, ora, tem útero, e, ora,
ele descama todo mês, veja só. E, de uma hora para outra, ela
PRECISA ser mulher e MÃE porque alguém, em algum momento, disse que
toda mulher só o era se parisse. É preciso apenas dois neurônios
deficientes para perceber que isso não faz o menor sentido.
Se eu ouvir mais uma
pessoa falar em “relógio biológico” em pleno 2017, eu nem sei.
Parem com isso, gente, parem de acertar os ponteiros dos relógios
alheios. Vão fazer suas escolhas dentro das quatro paredes do seu
lar. E se isso da outra ter de ser mãe te incomoda tanto, eu, como
mãe, vou te dizer uns motivinhos aqui pra ao menos fazer você
refletir um tiquinho.
Primeiramente, vamos
entender uma coisa: sim, há uma intenção da natureza de nos
colocarmos em constante propagação da espécie, de nos mantermos
nesse mundo.. Mas, como sabemos – seja pela experiência de
estar-no-mundo, seja por nossas aulas de história -, o ser humano há
muito saiu do primitivismo e entrou no mundo das escolhas, não é
verdade? Dito isso, me parece muito plausível uma mulher não querer
carregar o peso da existência de outro ser vivo. É, de longe, a
maior responsabilidade que um ser humano pode ter. Você já parou
realmente pra pensar sobre isso?
Deixa eu te contar
uma coisa: a mãe é uma mulher que passa um parte da vida tentando
fazer o filho se manter vivo. A outra parte da vida, ela vai tentar
fazer esse ser humaninho ser uma pessoa de bem. Você acha mesmo que
é missão pra todo mundo querer esse compromisso de eternidade com
um outro? Adianto que são muitas as privações – ainda que haja
muita alegria no caminho.
“Ah, Amanda, mas é
o maior amor do mundo, o maior amor que uma pessoa pode sentir”. Eu
acho o maior amor que EU já senti. Se é o maior amor que uma outra
pessoa pode sentir eu não posso dizer. Há uma infinidade de amores
que não vivi para comparar. E uma pessoa pode escolher não querer
viver esse amor também. Apenas, let it go, pessoal! Vamos acabar com
essa patrulhinha do útero alheio e arrumar uma lavagem de roupa, uns
pratos na pia. Vamos gastar nossa energia com uma solução para o
aquecimento global? Estamos combinados? Então, tá.
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