O primeiro mês do
bebê em casa pode ser resumido com a palavra medo. Eu tinha
medo de ele morrer a cada minuto. Se ele estava acordado: eu ia
afogá-lo no banho, ia derrubá-lo do braço, ia matá-lo de frio ou
o menino ia morrer de inanição, pois eu achava que também existia
uma fórmula perfeita e intangível para a amamentação correta. Se
estava dormindo, por mais que eu desse graças aos céus, eu ficava
checando a respiração do póbi pra ver se ele continuava vivo,
acreditem.
Lembro perfeitamente
da visita de uma tia que disse a seguinte preciosidade: “quando
tive meu primeiro filho, eu acordava assustada no meio da noite e
olhava pra o berço pensando: 'meu deus, essa criaturinha é
totalmente dependente de mim'”. A autora desse relato é uma
gênia! Era EXATAMENTE aquilo. Estava perfeitamente traduzida a
sensação que eu tinha no primeiro mês de Francisco, mais
especificamente nas primeiras duas semanas.
A verdade é que a
gente precisa de um tempo para entender que não estamos mais “all
by my self”. Há uma pessoinha ali, desprotegida, completamente
dependente, que precisa da gente no prumo pra tomar todas as
decisões, das pequenas às gigantescas. E tudo parece gigantesco no
início. O banho pra mim, por exemplo, foi como pular uma fogueira de
costas. Eu tremia mais do que vara verde no primeiro; tremia um pouco
menos no segundo; no terceiro, vai, eu continuei tremendo
também...mas uma hora os tremeliques e achaques passam. Sabe por
quê? Porque vão surgindo novos e vamos nos reinventando também.
E o que podemos
fazer nesse momento? PEDIR AJUDA. Claro, por que não? Ajuda dos
familiares, ajuda de quem quiser/puder/souber ajudar. Somos todos
responsáveis por uma criança que nasce, pessoal. Somos mesmo.
Vivemos em comunidade. O filho é meu, mas a criança é nossinha da
silva. Vovó ajuda, titia ajuda, amiguinho ajuda, geral ajuda. Pai e
mãe criam! (Favor, dá um google aí: Hel Mother. Uma youtuber
fantástica que vem se ocupando de meter uma real nas fuças da
sociedade.)
Você aí, quer
ajudar uma mãe de primeiras semanas? Dá uma passada na casa dela.
Leva comida pronta. Ela vai amar. Leva dois dedos de prosa. Leva 15
min de paciência pra segurar o filho dela no colo enquanto ela lava
o cabelo. Leva atenção à mãe e não apenas à criança. Ajuda
muito. Porque a maternidade nos primeiros meses é de uma solidão
sem tamanho. Parte por culpa do baby blues (dá um google aí também.
Informe-se!); parte porque a mãe veste a capa da invisibilidade,
parece.
E-M-P-A-T-I-A.
Palavra linda, mas ainda pouco usada. Vamos praticar um pouco? Então
vamos lá:
1) Não diga para a
mãe se cuidar. Além de não ajudar, coloca autoestima dela - que já
deve estar fraca das pernas - no bueiro. Imagine você uma criatura
com o peito descamado, cheiro de leite na roupa, noites em claro e
olheiras profundas, sem tempo nem pra ir ao banheiro. Tempo? De onde
ele vem, o que ele come? Amiga, se não der pra elogiar, não
precisa. Apenas não mande ela se cuidar. Juro que ela tá tentando
como pode isso aê;
2) Se for de maior
proximidade, pergunte se ela quer que você durma uma noite lá pra
ajudar com o bebê. Às vezes, tudo o que a mãe quer são duas horas
seguidas de sono, sem interrupção, pra se reestabelecer e ser capaz
novamente;
3) Chame a mãe para
sair de casa. Mães amam comer rapidinho ali;
4) Faça visitas
sempre que possível. Mães seguem gostando de conversar, mães
seguem se interessando pelos paqueras das amigas, mães seguem sendo
uma pessoa além de mães.
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