sábado, 7 de janeiro de 2017

Empatia: favor, tenha.

O primeiro mês do bebê em casa pode ser resumido com a palavra medo. Eu tinha medo de ele morrer a cada minuto. Se ele estava acordado: eu ia afogá-lo no banho, ia derrubá-lo do braço, ia matá-lo de frio ou o menino ia morrer de inanição, pois eu achava que também existia uma fórmula perfeita e intangível para a amamentação correta. Se estava dormindo, por mais que eu desse graças aos céus, eu ficava checando a respiração do póbi pra ver se ele continuava vivo, acreditem.

Lembro perfeitamente da visita de uma tia que disse a seguinte preciosidade: “quando tive meu primeiro filho, eu acordava assustada no meio da noite e olhava pra o berço pensando: 'meu deus, essa criaturinha é totalmente dependente de mim'”. A autora desse relato é uma gênia! Era EXATAMENTE aquilo. Estava perfeitamente traduzida a sensação que eu tinha no primeiro mês de Francisco, mais especificamente nas primeiras duas semanas.

A verdade é que a gente precisa de um tempo para entender que não estamos mais “all by my self”. Há uma pessoinha ali, desprotegida, completamente dependente, que precisa da gente no prumo pra tomar todas as decisões, das pequenas às gigantescas. E tudo parece gigantesco no início. O banho pra mim, por exemplo, foi como pular uma fogueira de costas. Eu tremia mais do que vara verde no primeiro; tremia um pouco menos no segundo; no terceiro, vai, eu continuei tremendo também...mas uma hora os tremeliques e achaques passam. Sabe por quê? Porque vão surgindo novos e vamos nos reinventando também.

E o que podemos fazer nesse momento? PEDIR AJUDA. Claro, por que não? Ajuda dos familiares, ajuda de quem quiser/puder/souber ajudar. Somos todos responsáveis por uma criança que nasce, pessoal. Somos mesmo. Vivemos em comunidade. O filho é meu, mas a criança é nossinha da silva. Vovó ajuda, titia ajuda, amiguinho ajuda, geral ajuda. Pai e mãe criam! (Favor, dá um google aí: Hel Mother. Uma youtuber fantástica que vem se ocupando de meter uma real nas fuças da sociedade.)


Você aí, quer ajudar uma mãe de primeiras semanas? Dá uma passada na casa dela. Leva comida pronta. Ela vai amar. Leva dois dedos de prosa. Leva 15 min de paciência pra segurar o filho dela no colo enquanto ela lava o cabelo. Leva atenção à mãe e não apenas à criança. Ajuda muito. Porque a maternidade nos primeiros meses é de uma solidão sem tamanho. Parte por culpa do baby blues (dá um google aí também. Informe-se!); parte porque a mãe veste a capa da invisibilidade, parece.

E-M-P-A-T-I-A. Palavra linda, mas ainda pouco usada. Vamos praticar um pouco? Então vamos lá:

1) Não diga para a mãe se cuidar. Além de não ajudar, coloca autoestima dela - que já deve estar fraca das pernas - no bueiro. Imagine você uma criatura com o peito descamado, cheiro de leite na roupa, noites em claro e olheiras profundas, sem tempo nem pra ir ao banheiro. Tempo? De onde ele vem, o que ele come? Amiga, se não der pra elogiar, não precisa. Apenas não mande ela se cuidar. Juro que ela tá tentando como pode isso aê;

2) Se for de maior proximidade, pergunte se ela quer que você durma uma noite lá pra ajudar com o bebê. Às vezes, tudo o que a mãe quer são duas horas seguidas de sono, sem interrupção, pra se reestabelecer e ser capaz novamente;

3) Chame a mãe para sair de casa. Mães amam comer rapidinho ali;


4) Faça visitas sempre que possível. Mães seguem gostando de conversar, mães seguem se interessando pelos paqueras das amigas, mães seguem sendo uma pessoa além de mães.

Nenhum comentário:

Postar um comentário