quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

O sono do bebê

Definitivamente, dormir não é o forte do meu filho. E acho que muitos pais por aqui vão se compadecer com a minha história.

Nos primeiros dias de vida, entretanto, Francisquinho dormia tanto, que era possível carregá-lo, remexê-lo, falar alto, talvez tocar uma banda de frevo do lado dele, que nada acontecia, o sono era inabalável. O problema era que esse sono todinho acontecia de dia.

As primeiras duas semanas foram bem difíceis para mim. Era de 21h às 9h em claro. Sempre tinha um que vinha com “quando o bebê dorme, a mãe dorme, Amanda”. Verdade, mas além de dormir, eu queria comer, tomar um banho, lavar meu cabelo e dar uma vividinha, quem sabe. E nesse meio tempo, acontecia de ele chorar e eu nem ter tirado o xampu da cabeça ainda. Então, se me permitem um conselho: se entreguem um pouco nesse período mesmo. Termina sendo menos cansativo do que lutar contra esses primeiros dias de adaptação, tanto dos pais quanto do neném.

Lembro-me perfeitamente da seguinte cena: eu sentada na cadeira de balanço, amamentando sem fim, tentando lutar para segurar as pálpebras abertas, com medo de derrubá-lo, enquanto o pai semidormia no outro quarto segurando a babá eletrônica. Walking dead era pouco para resumir a vida da gente naquele comecinho. E acho até que passamos relativamente bem por essa fase, sabe? Não houve muito desespero. A preocupação era tanta em entender aquele novo ser humaninho, que conseguir alimentá-lo dignamente já era uma vitória. E quando isso acontecia, o sono acabava por chegar.

Chorando ao pé do ouvido da pediatra, ela deu luz aos pais cegos e de primeira viagem, a primeira dica valiosíssima que tivemos naquele momento: ela nos apresentou a ideia de rotina, que tento, diariamente, seguir religiosamente durante a semana. Nos finais de semana, confesso, a coisa fica meio esculhambada. Mas também não dá pra robotizar demais a vida, né?

Com a rotina, Francisquinho também aprendeu a prever o passo a passo do seu dia. Os horários foram ficando mais ou menos determinados. É claro que cada idadezinha foi pedindo novas adaptações, mas sempre insisti nessa ideia das atividades diárias acontecendo sem grandes mudanças, sabe?

No primeiro mês, Francisco dormia no berço e eu dormia numa cama ao lado, no quartinho dele. A partir do segundo mês, quando ele começou as vacinas, passou a compartilhar a cama de casal (dá um google aí em “cama compartilhada”. Tem estudos interessantíssimos sobre as benesses dessa modalidade de sono), comigo, no meu quarto. Eu encostava a cama na parede e tomava as devidas providências para que a dormida fosse segura. Foi assim que eu me senti mais confortável naquele momento. Eu queria ter a certeza de que eu poderia controlar as reações das vacinas, aferir a temperatura, ouvir qualquer choramingo dele bem pertinho de mim. Até hoje, sigo acreditando muito numa máxima que diz que “quando a mãe está bem, a criança normalmente também fica bem”. Foi assim que, até o terceiro mês, dormíamos juntos e superbem.

Àquela altura, meu filho já tinha entrado mais ou menos numa rotina e conseguia dormir 8h seguidas durante a noite (“glória a Deus, senhor!”). Mal sabia eu que isso duraria tão pouco.

No quarto mês, devolvi Francisco ao berço, com a ideia de adaptá-lo ao seu quartinho para que ele visse aquele ambiente como um lugar de relaxamento e identidade. Na minha cabeça, ele precisava ter um espacinho dele na casa. E deu supercerto. Ele não sentiu a menor diferença – pelo menos aparentemente – quando mudou seu sono para o bercinho.


Tudo ia às mil maravilhas e eu vivia a lua de mel com minhas 8h de sono noturno. Até que, por volta do quinto mês, Francisco já dava sinais de que precisava iniciar a sua introdução alimentar. Como ficou evidente isso? Ele acordava a cada UMA hora para mamar durante a noite. Se eu tivesse muita sorte, conseguia dormir DUAS horas seguidas. Mas segurei – nem tão firme e nem tão forte – a onda.

Minhas olheiras já alcançavam a boca quando Francisquito começou a introdução alimentar. Comendo muito mal, obrigada, as dormidas não mudaram muita coisa e seguiram bem ruins. Além disso, ele nunca foi dado aos cochilos de dia. Até hoje, costuma dormir 20 min pela manhã, por volta das 10h, e mais uns 20 min de tarde, por volta das 14h, e isso é tudo.

Hoje em dia, com seus nove meses, Francisco continua com o mesmo hábito dos cochilos curtos, mas já consegue dormir UM POUCO melhor a noite. Quando eu falo “um pouco”, estou dizendo que, no período de 20h30 até as 7h, em algum momento, ele vai conseguir esticar umas três horinhas seguidas de sono, mas o restante vão ser dormidas descompassadas e interrompidas até acordar de vez, no dia seguinte.

Acredito que a partir do momento em que o bebê começa a se alimentar mais substancialmente, de forma condizente com as necessidades da idade, o sono também vai melhorando. Saco vazio não fica em pé e, definitivamente, não consegue se manter deitado também. Mas, segundo me disseram, há esperanças pós-um ano de vida! Aguardo ansiosamente esse momento!!

Por enquanto, aceito a noite em dormidas homeopáticas e conto com a ajuda de Suzana, que me auxilia aqui em casa, e fica com Francisquito para que eu durma um pouco pela manhã. A gente tem que dar nossos pulos do gato, né? <3

Um conselho que eu acho que pode ajudar é observar onde e como seu bebê parece dormir melhor. Francisco, até uns quatro meses, por exemplo, AMAVA dormir com o pai na rede. Então a gente deixava ele pegar no sono por lá e só depois transferia ele ao berço.

P.S.: Vale lembrar que a OMS - Organização Mundial de Saúde - indica que o bebê deve dormir sempre de barriga para cima e livre de lençóis e objetos que possam causar asfixia, ok? (depois, dá um google nessa informação para mais explicações).

A rotina que, mais ou menos, estabeleci foi:

1) Francisco dorme por volta das 20h30. Aos trancos e barrancos, leva esse sono até, no máximo 7h, quando mama um pouquinho;
2) Ofereço o café da manhã (hoje em dia uma fruta + algum tubérculo) às 8h;
3) Lá pelas 10h, ele toma o banho e acaba relaxando tanto que:
4) Dá um primeiro cochilo da manhã, que não passa de 30 min;
5) Mama assim que acorda;
6) Almoça por volta das 13h30;
7)Cochila às 14h (também uns 30 min);
8) Lancha uma frutinha e/ou biscoito de arroz;
9)Brinca;
10) Toma banho novamente por volta das 16h;
11) Mama mais um tantinho;
12) Janta às 19h e:
13)Toma banho logo em seguida – devido ao caos instalado pós-sopinha hehe. Desse banho, ele já sai de pijama. Não ofereço mais brinquedos e tento criar uma atmosfera de mais tranquilidade na casa: luzes baixas, pouco barulho, pouca movimentação com ele;

14) Às 20h ele toma uma mamadeira de vitamina de abacate, mamão ou banana e acaba dormindo lá pelas 20h30., quando o looping do sono noturno de instala e a gente abraça a guerra firme e forte!


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